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Água em Almada: monopólio estatal é o problema
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Água em Almada: monopólio estatal é o problema

O Partido Libertário publicou um artigo que questiona a narrativa da Iniciativa Liberal sobre a gestão da água em Almada, centrada na suposta incompetência dos administradores da SEMASA. Para os libertários, o verdadeiro problema não está nos currículos nem nas licenciaturas, mas na natureza estatal e monopolista da empresa - um ambiente onde não existe cálculo económico, preços formados por trocas voluntárias nem concorrência. O artigo defende que, sem mercado livre, qualquer equipa de gestão, por mais qualificada que seja, estará sempre a operar às cegas, e que a solução não é trocar gestores, mas sim privatizar e abrir o sector à concorrência genuína.

Análise Libertária

A Iniciativa Liberal escolheu o conselho de administração da SEMASA como alvo de troça. Rui Rocha aponta o dedo a um presidente licenciado em ensino básico, a uma vogal que fez teatro e a outro que reparou máquinas de gelo antes de se formar em serviço social. A caricatura é fácil, mas esconde o essencial. O problema nunca esteve nas folhas de curso daquelas pessoas. O problema é o estado a gerir a água em regime de monopólio coercivo.

Os liberais de pacotilha adoram este tipo de história para se sentirem superiores. Apontam o dedo ao "amadorismo" e prometem meter lá "gente competente e licenciada" como engenheiros, gestores ou doutorados. Depois de os colocarem nos lugares, o que muda? Nada. Porque a doença da SEMASA não é ter um professor primário ou um ex-actor na administração - é não existir, nunca ter existido, cálculo económico possível numa estrutura estatal e sem concorrência.

Cálculo económico não é um enfeite académico para libertários. É a capacidade de comparar preços genuínos formados por trocas voluntárias para saber se um recurso está bem ou mal empregue. Sem esse termómetro, gerir é o mesmo que adivinhar no escuro, dia após dia. Numa empresa municipal de água, os "preços" são tarifas fixadas por decreto, não nascem da oferta e da procura. Os "clientes" são reféns que não podem trocar de fornecedor, e o capital que financia tudo vem de impostos, ou seja, de dinheiro que foi dos "contribuintes" e nunca mais volta ao bolso de origem.

Não há preço livre, não há concorrência real, não há lucro e prejuízo genuínos. Logo, não há cálculo económico. E sem cálculo económico, a gestão mais "qualificada" do mundo está tão às cegas como o senhor do curso de teatro. É irrelevante trocar o presidente da câmara pela vogal de teatro ou por um génio da hidráulica com três doutoramentos. O resultado será estruturalmente o mesmo, porque a doença não está nos diplomas - está no monopólio coercivo do estado.

A mesma lógica explica porque a escola pública e o SNS produzem resultados miseráveis, apesar de estarem cheios de gente "licenciada e competente". Colocar "os nossos" no tacho, em vez dos "deles", não resolve nada quando o tacho continua a ser financiado por roubo e blindado da concorrência. O milagre não é a água estar mal gerida em 2026. O milagre seria estar bem gerida por um monopólio estatal, fosse ele composto por professores, actores ou prémios Nobel da Economia.

É aqui que os liberais de pacotilha se traem por completo. Ao dizerem que os outros "não percebem nada de água", insinuam que o problema é técnico e que basta pôr os apaniguados certos no lugar certo. Rui Rocha, para ser levado a sério, devia defender a privatização real da SEMASA com concorrência genuína e preços de mercado - não apenas trocar a equipa de gestão mantendo o monopólio intacto. Quem defende só isto não quer resolver o problema da água; quer, tão-só, um lugar ao sol na máquina estatal de extorsão.

O discurso do "mérito" serve de verniz para esconder o essencial: a captura do aparelho estatal por grupos de interesse. Quem promete "gestão competente" dentro do monopólio está a prometer o impossível, porque sem preços de mercado não há gestão possível. O que existe é apenas uma fachada de racionalidade sobre um sistema que opera à sorte. Seja com os incompetentes do costume, seja com os "competentes" da nova moda, a factura é sempre paga pelo mesmo assaltado do costume.

A água continua a ser gerida por quem não tem qualquer sinal de mercado para saber se está a fazer bem ou mal. O estado não "investe" na água - redistribui riqueza que não criou, e os custos são ocultados até rebentarem em tarifas ou em degradação do serviço. Enquanto existir monopólio coercivo, a água será sempre mal gerida, independentemente dos diplomas pendurados na parede. A solução libertária é clara: propriedade privada, concorrência genuína e preços livres - não a troca de uma equipa de gestão por outra.

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  • O morador de Almada que paga a fatura da água - vai reconhecer na SEMASA a sua própria experiência de refém, sem hipótese de trocar de fornecedor nem de escapar às tarifas fixadas. Percebe que a incompetência do conselho de administração é apenas o sintoma visível, e que o verdadeiro culpado é o monopólio estatal que lhe confisca dinheiro todos os meses.
  • O gestor ou engenheiro que ainda acredita que bastava meter gente "competente" no estado - vai perceber que diplomas e currículos não resolvem nada sem preços livres, concorrência e cálculo económico. Um quadro brilhante num monopólio coercivo continua a adivinhar, e o custo dessa cegueira sai sempre do bolso de quem trabalha e poupa.
  • O liberal de pacotilha que se ri dos currículos e da composição do conselho - vai descobrir que trocar a equipa de gestão mantendo o monopólio intacto não passa de uma disputa pelo tacho. Se a defesa é só substituir uns nomes por outros, então a água continua gerida por decreto, e o assaltado final é sempre o "contribuinte".

Falsa Competência Técnica - O estado e os media enquadram o problema da SEMASA como falta de qualificações dos administradores (ensino básico, teatro, serviço social), desviando a atenção do monopólio coercivo e da ausência de cálculo económico, que são as verdadeiras causas da ineficiência.
Desvio para a Troca de Pessoas - A narrativa, amplificada pela Iniciativa Liberal, centra-se em substituir os gestores "incompetentes" por "competentes" licenciados, mantendo intacta a estrutura estatal de monopólio e fazendo crer que a solução é técnica e de pessoal, não estrutural e de propriedade.
Apelo à Autoridade dos Diplomas - O estado explora o respeito social por títulos académicos (engenheiros, gestores, doutorados) para legitimar a continuidade do modelo estatal, ignorando que sem concorrência e preços de mercado qualquer gestor, mesmo premiado, está a gerir às cegas sem cálculo económico.

  1. 1Cálculo económico (Economic calculation)Capacidade de comparar preços de mercado para decidir usos de recursos.

    É a capacidade de comparar preços genuínos, formados por trocas voluntárias, para saber se um recurso está a ser bem ou mal empregue. Numa empresa estatal como a SEMASA, não há preços de mercado, mas tarifas fixadas por decreto, e os clientes não podem escolher outro fornecedor. Sem esse termómetro, gerir é adivinhar. O artigo mostra que, sem cálculo económico, até os gestores mais qualificados estão às cegas. Para um libertário, isto prova que a intervenção estatal destrói a informação necessária para uma gestão eficiente.

  2. 2Monopólio coercivo (Coercive monopoly)Situação em que o estado impede a concorrência pela força.

    É quando uma empresa é a única fornecedora de um bem ou serviço porque o estado proíbe ou dificulta a entrada de concorrentes. Na SEMASA, o monopólio da água é garantido por lei, não por mérito. Os clientes são reféns, não podem trocar de fornecedor. O artigo argumenta que o problema não é a incompetência dos gestores, mas o monopólio em si. Para um libertário, monopólios coercivos são imorais e ineficientes, pois eliminam a pressão da concorrência e a possibilidade de escolha.

  3. 3Privatização (Privatization)Transferência de empresas estatais para a propriedade privada e o mercado.

    É o processo de vender ou transferir ativos e serviços do estado para o setor privado. No artigo, defende-se a privatização real da SEMASA, com concorrência genuína e preços de mercado. Isto significa que a água seria fornecida por empresas privadas em competição, e os consumidores poderiam escolher. Para um libertário, a privatização é essencial para restaurar o cálculo económico e a responsabilidade. Sem privatização, o estado continua a controlar recursos e a impor tarifas, independentemente da vontade dos cidadãos.

  4. 4Preços de mercado (Market prices)Preços formados pela oferta e procura em trocas voluntárias.

    São os preços que emergem das interações voluntárias entre compradores e vendedores, refletindo a escassez e as preferências. No artigo, os preços de mercado são contrastados com as tarifas fixadas por decreto na SEMASA. Sem preços de mercado, não há informação sobre quanto os consumidores valorizam a água nem quanto custa produzi-la. Para um libertário, os preços de mercado são fundamentais para coordenar a atividade económica e evitar desperdícios. Qualquer intervenção estatal nos preços distorce essa informação.

  5. 5Concorrência genuína (Genuine competition)Rivalidade entre empresas sem privilégios ou barreiras estatais.

    É a rivalidade entre empresas que lutam pelos clientes sem depender de favores do estado. No artigo, defende-se que a SEMASA deveria enfrentar concorrência genuína, em vez de ser um monopólio protegido. Com concorrência, as empresas têm incentivo para melhorar a qualidade e reduzir preços. Para um libertário, a concorrência é o motor da eficiência e da inovação. Sem ela, as empresas estatais tornam-se complacentes e servem os interesses dos gestores, não dos consumidores.

  6. 6Impostos (Taxes)Dinheiro confiscado à força pelo estado, sem consentimento.

    São pagamentos obrigatórios ao estado, obtidos por coerção, não por troca voluntária. No artigo, os impostos são descritos como dinheiro roubado ao bolso das pessoas, que financia a SEMASA. Os "contribuintes" não têm escolha: pagam ou sofrem sanções. Para um libertário, os impostos são imorais porque violam o direito à propriedade. O estado usa esse dinheiro para sustentar monopólios e burocracias que não precisam de prestar contas ao mercado.

  7. 7Soberania individual (Individual sovereignty)O indivíduo é a autoridade final sobre a sua vida e propriedade.

    É o princípio de que cada pessoa tem o direito de decidir sobre si mesma e os seus bens, desde que não viole os direitos dos outros. No artigo, a soberania individual é violada quando o estado impõe uma empresa de água monopolista e cobra impostos para a financiar. O cidadão não pode escolher outro fornecedor nem recusar pagar. Para um libertário, a soberania individual é a base de uma sociedade livre. Qualquer intervenção estatal que a viole é uma agressão.

  8. 8Ordem espontânea (Spontaneous order)Ordem que emerge das ações voluntárias, sem planeamento central.

    É a ideia de que a cooperação social e a coordenação económica surgem naturalmente das interações individuais, sem necessidade de um planeador central. No artigo, a ordem espontânea é contrastada com a gestão estatal da água, que é imposta por decreto. Se a SEMASA fosse privatizada e aberta à concorrência, a ordem espontânea do mercado coordenaria a produção e distribuição de água. Para um libertário, a ordem espontânea é superior ao planeamento central porque usa o conhecimento disperso e os incentivos individuais.

  9. 9Intervenção estatal (State intervention)Ação do estado que interfere nas trocas voluntárias e nos direitos de propriedade.

    É qualquer ação do estado que altera o curso natural das trocas voluntárias, como impostos, regulamentos, subsídios ou monopólios. No artigo, a intervenção estatal é a causa do problema da água em Almada: a SEMASA é um monopólio criado e mantido pelo estado. Essa intervenção impede a concorrência e o cálculo económico. Para um libertário, a intervenção estatal nunca é neutra nem benéfica; distorce os preços e os incentivos, levando a ineficiências e à violação dos direitos.

  10. 10Lucro e prejuízo (Profit and loss)Sinais do mercado que indicam se uma atividade satisfaz os consumidores.

    São os resultados financeiros que mostram se uma empresa está a criar valor para os consumidores. No mercado, o lucro indica que a empresa está a satisfazer necessidades de forma eficiente; o prejuízo indica o contrário. No artigo, a SEMASA não tem lucro nem prejuízo genuínos, porque é financiada por impostos e protegida da concorrência. Sem esses sinais, os gestores não sabem se estão a fazer bem ou mal. Para um libertário, o lucro e o prejuízo são essenciais para a responsabilização e a melhoria contínua.