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"O salário não chega, não é suficiente." BE quer que seja criada mercearia pública em Lisboa
SitePropaganda estatal· TSF· Rita Carvalho Pereira

"O salário não chega, não é suficiente." BE quer que seja criada mercearia pública em Lisboa

A TSF amplifica a proposta do Bloco de Esquerda para criar uma "mercearia pública" em Lisboa, vendendo a ideia como solução para o custo de vida sem questionar os seus fundamentos. O artigo normaliza a intervenção do estado nos preços dos bens essenciais, apresentando exemplos internacionais como se fossem modelos de sucesso, e não experiências de controlo de preços com custos escondidos. Na realidade, o que a peça omite é que qualquer tentativa de fixar preços abaixo do mercado destrói os sinais que coordenam a produção, gerando escassez e desperdício pagos pelos contribuintes - um erro básico que a teoria económica austríaca já demonstrou repetidamente.

Fonte de propaganda estatal

Conteúdo difundido por uma fonte financiada, protegida ou condicionada pelo estado, usado para normalizar coerção, burocracia e dependência política.

Apelo à Emoção - O artigo usa a dificuldade financeira das famílias para justificar a intervenção estatal, citando que "o salário não chega, não é suficiente, não chega até ao final do mês" e que "as compras essenciais estão a atingir preços recordes", criando um sentimento de urgência que desvia a análise das causas reais da inflação.
Falsa Solução Estatal - A proposta é apresentada como resposta mágica ao problema, ignorando que a mercearia pública apenas substitui preços de mercado por preços administrativos, gerando escassez e desperdício, com a promessa de "produtos essenciais a preços mais acessíveis" sem nunca explicar como o estado pode fixar preços sem destruir os sinais de mercado.
Apelo à Autoridade Externa - O artigo legitima a ideia ao listar exemplos de outros países como "França, Reino Unido, México e até Groenlândia" que "têm apoio do estado e que garantem produtos essenciais com custos controlados", usando a existência desses modelos como prova de eficácia, sem questionar os resultados reais ou os custos escondidos para os contribuintes.

Análise Libertária

A TSF amplifica a proposta do Bloco de Esquerda para criar uma mercearia pública em Lisboa, vendendo produtos essenciais a preços mais acessíveis. A vereadora Carolina Serrão afirma que o salário não chega, não é suficiente, e aponta para exemplos em França, Reino Unido e México como inspiração. Esta ideia parte do erro fundamental de acreditar que o estado pode substituir o mercado sem causar danos maiores. O problema real não é a falta de uma loja estatal, mas sim a destruição do poder de compra causada pela inflação e pelos impostos.

A proposta ignora que os preços elevados são um sintoma, não a doença. A inflação é sempre um fenómeno monetário, alimentado pela expansão de crédito do Banco Central Europeu e pela desvalorização da moeda. Quando o estado imprime euros para financiar despesas, cada nota perde valor e os preços sobem em toda a economia. A solução não é controlar os preços numa mercearia, mas sim parar de destruir o valor do dinheiro. Enquanto a política monetária continuar expansionista, qualquer tentativa de "aliviar" o custo de vida será um paliativo que esconde a causa.

A vereadora cita um cabaz alimentar recorde de 257,25 euros, segundo a Deco. Mas esse valor recorde não caiu do céu: é o resultado direto de anos de impostos sobre o consumo, regulamentação excessiva e custos de conformidade que encarecem cada produto. O IVA, as taxas e as licenças são um confisco disfarçado que encarece os bens essenciais para todos. Criar uma mercearia pública não elimina esses impostos; apenas os transfere para os contribuintes que não usam a loja, pagando duas vezes.

O modelo apresentado, com apoio estatal e custos controlados, já foi tentado noutros países com resultados previsíveis. Em França e no Reino Unido, as mercearias solidárias enfrentam escassez crónica, filas e racionamento, porque não há preços livres a sinalizar onde investir. Sem cálculo económico baseado em preços de mercado, a burocracia não consegue alocar recursos de forma eficiente. O resultado é desperdício, faltas e, inevitavelmente, a necessidade de mais subsídios, pagos por quem trabalha e produz.

A proposta prevê que a Câmara de Lisboa use espaços municipais e contactos diretos com produtores para baixar os preços. Mas esses espaços e contactos não são gratuitos: são pagos com impostos arrecadados à força dos lisboetas. O estado não cria riqueza; apenas a redistribui, e sempre com perdas no caminho. Cada euro gasto na mercearia pública é um euro que deixa de estar disponível para investimento privado, emprego ou consumo livre. A eficiência do mercado é substituída pela ineficiência do gabinete.

A medida é apresentada como faseada, começando com uma loja e expandindo para cada freguesia. Mas a lógica da intervenção estatal é sempre a mesma: uma vez criada, a mercearia pública torna-se um direito adquirido, alimentando a dependência do estado. Os munícipes com rendimentos mais baixos ficam presos a uma loja que decide o que vender, a que preço e em que quantidade. A liberdade de escolha é substituída pela caridade estatal, que nunca é neutra nem gratuita.

A solução verdadeira para o custo de vida elevado é o oposto: menos estado, menos impostos e menos regulação. Eliminar o IVA sobre os bens essenciais, reduzir as taxas municipais e acabar com as licenças que encarecem o comércio local baixaria os preços de forma permanente. O mercado livre, com concorrência e preços flexíveis, coordena as preferências dos consumidores melhor do que qualquer burocrata. Em vez de criar uma mercearia pública, o Bloco de Esquerda devia exigir o fim dos impostos que tornam a vida mais cara.

No fundo, a proposta é mais um exercício de propaganda que normaliza a intervenção estatal como solução para problemas que o próprio estado criou. A TSF serve de megafone para uma ideia que promete alívio mas entrega dependência, escassez e mais impostos. Enquanto a esquerda insistir em controlar preços e substituir o mercado, o salário continuará a não chegar - não por culpa dos comerciantes, mas por culpa de quem insiste em destruir o valor do dinheiro e a liberdade de trocar.

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  • O eleitor que acredita em mercearias públicas - vai perceber que o problema não é o preço alto, mas sim a inflação causada pela expansão monetária do BCE, e que controlar preços só cria escassez e filas.
  • O pequeno comerciante de bairro - vai entender que uma mercearia municipal subsidiada é concorrência desleal financiada pelos impostos que ele próprio paga, destruindo o seu negócio e a sua margem.
  • O contribuinte lisboeta que já sente o bolso apertado - vai descobrir que vai pagar duas vezes: primeiro nos impostos que financiam a loja, depois nos preços mais altos que o mercado vai ajustar para compensar a distorção.

  1. 1Preços livresSinais que coordenam produção e consumo sem intervenção.

    Os preços livres são formados pela oferta e procura voluntárias, transmitindo informação sobre escassez e preferências. No artigo, a proposta de mercearia pública ignora que os preços são sinais essenciais para os produtores saberem o que produzir. Sem preços livres, ninguém consegue calcular custos ou lucros, gerando desperdício e escassez.

  2. 2Cálculo económicoImpossível sem preços de mercado para bens de capital.

    O cálculo económico é o processo racional de decidir o que produzir, como e para quem, usando preços de mercado. No artigo, a mercearia pública substitui esse cálculo por decisões políticas, ignorando que sem preços reais não há forma de avaliar custos ou eficiência. O resultado é desperdício de recursos e prejuízo pago pelos contribuintes.

  3. 3Intervenção estatalQualquer ação do estado que distorce trocas voluntárias.

    Intervenção estatal é a imposição de regras ou subsídios que alteram o funcionamento do mercado. No artigo, o BE propõe que a câmara municipal crie e financie uma mercearia, interferindo nos preços e na concorrência. Isto impede que os preços reflitam a escassez real, levando a filas e racionamento.

  4. 4Sinais de preçoInformação que orienta empresários sobre escassez e procura.

    Os sinais de preço são as variações nos preços que indicam onde há falta ou excesso de bens. No artigo, a vereadora ignora que os preços elevados do cabaz alimentar são sinais de escassez relativa ou custos de produção. Ao fixar preços mais baixos na mercearia pública, destrói esses sinais, desorientando produtores e consumidores.

  5. 5LucroDiferença entre receita e custos, guia do empresário.

    Lucro é o ganho obtido quando a receita das vendas supera os custos antecipados, funcionando como incentivo para servir consumidores. No artigo, a mercearia pública opera sem objetivo de lucro, dependendo de subsídios. Sem lucro, não há feedback sobre eficiência, e o negócio torna-se uma despesa perpétua para os contribuintes.

  6. 6Taxa de juro naturalPreço do tempo que equilibra poupança e investimento.

    A taxa de juro natural é a taxa que iguala a poupança voluntária ao investimento, sem intervenção do banco central. No artigo, a proposta ignora que os custos de financiamento da mercearia pública dependem de impostos ou dívida, distorcendo a taxa de juro. Isto leva a investimentos insustentáveis e má alocação de capital.

  7. 7EscassezRecursos limitados face a desejos ilimitados, base da economia.

    Escassez é a condição fundamental de que os recursos são finitos, obrigando a escolhas. No artigo, a mercearia pública tenta ignorar a escassez ao oferecer produtos abaixo do preço de mercado. Mas a escassez não desaparece: apenas se transfere para filas, racionamento ou desabastecimento, como já se viu noutros países.

  8. 8FilasResultado de preços controlados abaixo do equilíbrio de mercado.

    Filas são a consequência inevitável de fixar preços máximos: a procura excede a oferta, e o racionamento passa a ser por espera. No artigo, a mercearia pública com preços controlados criará filas, como acontece em sistemas de racionamento. Isto penaliza quem tem menos tempo, em vez de quem valoriza mais o bem.