
CMVM queixa-se de falta de recursos apesar de ser financiada por taxas
O ECO, megafone da burocracia financeira, publica mais uma peça de propaganda estatal que normaliza o apetite insaciável dos reguladores por mais recursos, sob o disfarce de "limitações à capacidade de utilização". O presidente da CMVM, entidade que vive exclusivamente de taxas coercivas sobre o mercado - e não de um cêntimo do Orçamento do estado -, queixa-se ao parlamento de falta de "flexibilidade e operacionalidade", como se o problema fosse a rigidez orçamental e não a própria existência de um monopólio regulador que parasita a criação de riqueza alheia. O artigo amplifica a narrativa de que o supervisor precisa de mais meios para "cumprir melhor a sua função", ignorando que a verdadeira função da CMVM é impor custos e entraves a transacções voluntárias. Na realidade, o que o ECO embrulha em linguagem técnica é o lamento de um organismo estatal que, ao contrário das empresas que geram valor, pode sempre ir ao pote do roubo institucionalizado - só que, neste caso, o pote é alimentado por taxas e não por impostos directos, o que não torna a extorsão menos real.
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Análise Libertária
O ECO publica esta terça-feira as queixas do presidente da CMVM, Luis Laginha de Sousa, sobre as limitações de recursos que o supervisor enfrenta. O responsável afirma que a entidade não utiliza um euro do Orçamento do estado, mas mesmo assim tem dificuldades. Esta narrativa normaliza a ideia de que o estado precisa de mais dinheiro para cumprir funções que ele próprio criou. Na verdade, a CMVM é um monopólio de supervisão que impõe custos a todas as empresas do mercado de capitais. As taxas de supervisão que cobra são um imposto disfarçado, pago por quem cria riqueza e depois repassado aos consumidores.
Laginha de Sousa queixa-se de que as limitações lhe retiram flexibilidade e operacionalidade, como se a burocracia fosse um problema de escassez de fundos. O problema real é que o estado cria estruturas que consomem recursos sem gerar valor, e depois reclama que não tem meios. Qualquer empresário privado sabe que, se o seu negócio não gera receita suficiente, fecha ou adapta-se, mas a CMVM nunca fecha. A entidade pode sempre apelar ao ministério das finanças para obter mais margem, algo que nenhuma empresa privada pode fazer sem ser acusada de pedir subsídios.
O presidente refere que transmitiu as preocupações à Comissão para o Reforço da Independência das Entidades Reguladoras, junto do ministério das finanças. Isto revela a verdadeira natureza do problema: a CMVM quer mais independência para gastar mais, mas sem perder o acesso ao poder político. A independência que pedem é a liberdade de não serem escrutinados, enquanto continuam a sugar recursos do sistema. A frase sem onerar o estado é uma piada de mau gosto, porque o estado já é onerado por cada taxa de supervisão que reduz o capital disponível para investimento produtivo.
A nova autoridade europeia AMLA faz pedidos de dados que a CMVM diz terem um custo enorme, porque aquilo que vai para um lado não pode ir para o outro. Este é o clássico argumento da escassez artificial criada pelo próprio estado. Se a CMVM tivesse de competir no mercado, teria de se organizar para ser eficiente, em vez de pedir mais fundos. As empresas privadas lidam com múltiplas exigências todos os dias sem poderem queixar-se ao parlamento, porque sabem que a ineficiência leva à falência.
Laginha de Sousa lamenta a dificuldade em reter talento face a autoridades em Frankfurt, Paris ou Bruxelas. Isto é irónico, porque a CMVM é uma entidade que vive de regular o mercado, mas não consegue competir com outras entidades reguladoras. O mercado de reguladores é um cartel onde todos se queixam de falta de talento, enquanto os melhores profissionais fogem para o setor privado. A solução não é dar mais dinheiro à CMVM, mas reduzir a regulação para que haja menos necessidade de supervisores e mais espaço para a criação de riqueza.
Sobre a Inteligência Artificial, o presidente avisa que vai requerer recursos financeiros e técnicos, como se a tecnologia fosse um custo adicional e não uma oportunidade de eficiência. No mercado livre, as empresas adotam IA porque ela reduz custos e aumenta a produtividade, não porque o estado lhes dá dinheiro. A CMVM vê a IA como mais uma despesa a justificar pedidos de orçamento, quando deveria vê-la como uma ferramenta para fazer o mesmo com menos recursos. Mas isso exigiria que a entidade pensasse como uma empresa, não como uma burocracia.
O artigo do ECO amplifica esta narrativa sem questionar a premissa de que a CMVM precisa de mais recursos. A verdade é que a CMVM não devia existir, porque a regulação estatal dos mercados de capitais é uma intrusão que distorce os preços e impede o cálculo económico. Os investidores são perfeitamente capazes de avaliar riscos e exigir transparência sem a supervisão de uma entidade que vive das taxas que impõe. Cada euro gasto na CMVM é um euro que podia estar a financiar uma startup ou a reduzir o custo de capital para as empresas.
Concluindo, a queixa de falta de recursos é o choro de um monopólio que nunca enfrenta concorrência. Enquanto a CMVM existir, vai sempre pedir mais, porque o estado nunca tem o suficiente para alimentar a sua própria ineficiência. A única reforma que faz sentido é acabar com a supervisão estatal e deixar o mercado autorregular-se através da reputação, dos contratos privados e da arbitragem independente. Até lá, cada taxa de supervisão é um imposto que empobrece o país e enriquece a burocracia.
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- O empresário que paga impostos - vai perceber que o estado nunca tem falta de dinheiro para si próprio, só para quem cria riqueza.
- O contribuinte que financia a CMVM através das taxas - vai ver como o supervisor se queixa de falta de recursos enquanto os teus negócios pagam a conta sem direito a reclamação.
- O investidor que acredita em regulação independente - vai descobrir que a CMVM é mais um balcão de pedidos ao ministério das finanças do que um verdadeiro fiscalizador.
1Regulação estatal (State regulation)Intervenção do estado nos mercados.
É a imposição de regras pelo estado sobre atividades económicas. Neste artigo, a CMVM é o regulador que define e fiscaliza as regras do mercado de capitais. A regulação cria custos de conformidade e distorce a alocação de recursos. Para um libertário, qualquer regulação restringe a liberdade de contratar e trocar. O mercado livre coordena melhor as preferências dos indivíduos sem coerção.
2Taxas de supervisão (Supervision fees)Taxas pagas obrigatoriamente pelos regulados.
São pagamentos obrigatórios exigidos pela CMVM às empresas, sob ameaça de não poderem operar. Isto é um imposto disfarçado, não financiamento voluntário. As empresas não podem optar por não pagar. Este custo reduz a rentabilidade e a inovação, e é passado aos consumidores. É coerção, pois o dinheiro é confiscado à força para sustentar o regulador.
3Monopólio da regulação (Regulatory monopoly)Poder exclusivo do estado para regular.
A CMVM tem o monopólio legal da supervisão dos mercados. Não há concorrência: se uma empresa não gostar do serviço, não pode escolher outro regulador. Este monopólio permite à CMVM queixar-se de falta de recursos sem medo de ser substituída. Num mercado livre, serviços de certificação e arbitragem seriam concorrenciais e mais eficientes.
4Custos de conformidade (Compliance costs)Despesas das empresas para cumprir regras.
São os recursos gastos pelas empresas para se adaptarem às exigências da CMVM. O artigo mostra que a CMVM pede mais dados e usa IA, o que aumenta estes custos. Estes custos são barreiras à entrada de pequenas empresas e reduzem a inovação. São um imposto indireto sobre a atividade económica, pago por consumidores e acionistas.
5Captura regulatória (Regulatory capture)Regulador ao serviço dos regulados.
Ocorre quando o regulador defende os interesses das empresas que regula, em vez dos consumidores. A queixa de falta de recursos pode levar a supervisão mais branda ou favorecer grandes empresas. A captura é inevitável quando o regulador depende das taxas e do bom relacionamento com o setor. Isto distorce o mercado e prejudica a concorrência.
6Custo de oportunidade (Opportunity cost)O valor da melhor alternativa perdida.
É o custo de usar recursos numa atividade em vez de noutra. A CMVM ao gastar em pedidos da AMLA deixa de os usar na sua função. O estado não escapa a esta lei, mas como usa dinheiro roubado (taxas), não sente a pressão do mercado. Cada euro gasto pelo regulador é um euro que podia estar a criar riqueza no setor privado.
7Imposto disfarçado (Hidden tax)Taxa obrigatória que funciona como imposto.
A CMVM diz que não usa dinheiro do orçamento, mas as taxas que cobra são obrigatórias: quem não paga não pode operar. Isto é um imposto sobre as empresas e, indiretamente, sobre os consumidores. Para um libertário, qualquer pagamento compulsório ao estado é roubo, independentemente do nome. A diferença entre taxa e imposto é apenas semântica.
Informações
em 9 de junho de 2026
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