
governo falhou prazo para apresentar estratégia nacional para a menopausa. "O silêncio que rodeia a menopausa não é casual
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O expresso divulga mais um episódio da saga em que o estado, ao que parece, também tem de orientar as ondas de calor: a estratégia nacional para a menopausa devia estar pronta até 30 de junho, não está, e a peça transforma o atraso burocrático em falha de gestão, sem nunca perguntar porque é que a menopausa precisa de um plano central. O resultado é mais uma fatura para quem já paga o serviço nacional de saúde e o Orçamento do estado, agora com promessas de consultas especializadas, comparticipações e horários flexíveis decididos por quem não foi chamado a escolher nada. O intervencionismo, ao que se vê, não deixa em paz nenhuma parte do corpo - nem aquelas de que o estado só se lembrou para lhes passar recibo.
Conteúdo difundido por uma fonte financiada, protegida ou condicionada pelo estado, usado para normalizar coerção, burocracia e dependência política.
Análise Libertária
O governo tinha um prazo: 30 de junho de 2026. Até esse dia devia estar pronta a Estratégia Nacional para os Direitos na Menopausa, exigida pelo artigo 185.º do orçamento do estado para 2026. O dia passou, a estratégia não apareceu e, segundo a carta de recomendações divulgada este domingo, Dia Mundial da Menopausa, o documento também não consta da proposta de orçamento para 2027. O aparelho que se oferece para organizar a menopausa de milhões de pessoas não conseguiu entregar um dossiê até ao fim de junho.
A carta, assinada por quatro organizações e saída das Jornadas da Menopausa de 10 de outubro, é um catálogo. Consultas especializadas no serviço nacional de saúde, com distribuição geográfica decente. Formação para médicos de família e ginecologistas. Atendimento dedicado na linha SNS 24. Tratamentos comparticipados, incluindo hormonais e alternativas não hormonais, com o custo igual em gel, adesivo ou comprimido. Investigação, recolha de dados, campanhas públicas, o tema nos currículos de educação para a saúde e educação sexual. Horários flexíveis, pausas extra, teletrabalho parcial ou total sem perda de remuneração, salvaguardas contra despedimentos ligados ao absentismo. Até as avaliações de saúde e segurança no trabalho passam a ter uma rubrica nova.
Repare-se no pormenor delicioso: quem falhou o prazo é o mesmo poder que agora é chamado a vigiar. A autoridade para as condições do trabalho e a comissão para a igualdade no trabalho e no emprego devem fiscalizar as entidades patronais e prevenir discriminação. Ou seja, a entidade que não cumpriu a lei que ela própria escreveu vai verificar se os outros cumprem a lei que ela própria escreveu. Fica tudo em família.
E há o dinheiro. "Comparticipado" é a palavra administrativa para dizer que a conta vai para outro lado. Não há um cêntimo no estado que não tenha sido retirado a alguém, e o orçamento não cria riqueza: recolhe-a. É por isso que o negócio central de qualquer estado continua a ser extrair recursos à população, seja através de imposto sobre o rendimento, imposto sobre o consumo ou contribuições que saem do salário antes de a pessoa decidir o que faz com ele. Quando se promete pagar metade do gel ou do adesivo, promete-se gastar dinheiro que era dos "contribuintes" e que deixou de estar nas mãos de quem o ganhou. A bondade do anúncio é real; a escolha de quem paga, não.
Aquilo que Rothbard usava para identificar o estado - a organização que vive da coerção e detém o monopólio compulsório da força numa dada área - não é uma abstracção de manual quando se discute menopausa. É a diferença entre uma pessoa que vai a uma consulta privada, escolhe o médico, paga e muda se não gostar, e uma pessoa que espera por uma vaga num serviço definido por decreto. O estado não sabe o que é melhor para o corpo de ninguém. Também não sabe o que é melhor para o horário de ninguém. Só tem a vantagem de poder obrigar.
A carta diz que "o silêncio que rodeia a menopausa não é casual". Concordo com a frase e divirjo do remédio. O silêncio nasce da falta de conversa, de médicos com tempo, de patrões com juízo - e cresce cada vez que se transforma uma questão pessoal num programa nacional com prazos que ninguém cumpre. A prova está à vista: o único silêncio que aumentou nos últimos meses foi o da estratégia.
E a solução proposta para uma lei incumprida é outra lei, com mais financiamento, mais prazos, mais responsabilidades e mais fiscalização. "Impõe-se, por isso, não apenas propor novas medidas, mas exigir a concretização das já aprovadas, com financiamento, prazos, responsabilidades e mecanismos de fiscalização e prestação pública de contas definidos", escrevem as organizações. Traduzido: mais papel para garantir o papel que faltou.
Entretanto, o tema entra nos currículos e nas campanhas, passo a passo, até deixar de ser discutível - a receita habitual para introduzir a nova ideia no debate público e a tornar consensual antes de alguém perguntar quem paga.
A menopausa não precisa de uma estratégia nacional. Precisa de informação honesta, de médicos que concorram entre si, de contratos de trabalho negociados livremente e de mulheres - e de homens trans e pessoas não binárias com ovários, como a carta lembra - a decidir com quem sabem mais do que o governo. O intervencionismo chegou ao ponto de querer gerir o corpo que envelhece. Falhou a data de entrega. É a única parte da história que nos poupa trabalho.
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- Uma mulher de 51 anos que já perguntou três vezes ao médico de família porque é que a consulta de menopausa existe no papel e não na agenda - Vai reconhecer o prazo de 30 de junho que passou em claro e o estado a prometer cuidados com o dinheiro que já lhe foi descontado ao salário todos os meses.
- Um patrão de uma empresa de doze pessoas que ainda pensa que gerir pessoal é marcar férias em agosto - Fica aqui a saber que já há propostas para lhe entregarem horários flexíveis, pausas extra e teletrabalho por decisão de cima, sem ninguém lhe perguntar se a folha de pagamentos aguenta a generosidade.
- Um jovem de 25 anos convencido de que a menopausa é um assunto para daqui a muito tempo - Descobre que o orçamento do estado para 2026 lhe reservou o artigo 185.º e uma estratégia nacional, e que a fatura desse cuidado chega antes de qualquer sintoma.
1Estratégia nacionalUm plano do estado para um assunto.
É um documento em que o governo promete fazer coisas sobre um tema, com prazos e responsáveis. Neste caso, a estratégia para a menopausa devia ter sido entregue até 30 de junho e não foi. O plano existe no papel; a entrega, não.
2Orçamento do estadoOnde o estado decide gastar o dinheiro que cobra.
É a lei anual que reparte o dinheiro retirado aos "contribuintes". A carta queixa-se de que a estratégia não aparece na proposta para 2027. Ou seja: sem linha no orçamento, a promessa fica sem dinheiro e sem data.
3serviço nacional de saúdeA rede pública de cuidados de saúde.
É financiada por impostos e todos a usam, mesmo quem paga mais. A carta pede mais consultas especializadas e formação para os profissionais dentro desta rede. O problema apontado é a falta de respostas, não a falta de procura.
4ComparticipaçãoQuando o estado paga parte de um tratamento.
O utente paga uma fatia e o erário público paga o resto. A carta quer tratamentos hormonais e alternativas comparticipados e critica diferenças de custo entre gel, adesivos e comprimidos. Quem paga a parte do estado é sempre quem entrega impostos.
5IncentivosO que leva as pessoas a agir de certa forma.
Se uma regra torna algo mais caro ou mais fácil, muda o comportamento. Aqui, comparticipar um formato e não outro empurra as pessoas para aquele que o estado escolheu pagar. Quem decide o preço e a oferta é o estado, não o doente.
6Negociação coletivaAcordo entre patrões e sindicatos sobre condições de trabalho.
Define salários, horários e regras para um setor. A carta quer meter a menopausa nessas negociações e criar proteções contra despedimentos ligados ao absentismo. É uma decisão que passa a ser tomada em bloco, não caso a caso entre patrão e trabalhador.
7Regulação estatalRegras impostas pelo estado a todos.
Não são acordos voluntários: são obrigações com fiscalização. A carta chama a autoridade para as condições do trabalho e a comissão para a igualdade no emprego a vigiar e punir. Quem define o que é discriminação passa a ser o estado, não as pessoas envolvidas.
Informações
em 18 de outubro de 2026
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