
Discurso de Aceitação do Professor Jesús Huerta de Soto na Casa Rosada
Resumo
O professor Jesús Huerta de Soto recebeu a Ordem de Maio do Mérito das mãos do presidente Javier Milei na Casa Rosada, marcando um momento histórico para a defesa da liberdade na América do Sul. A Argentina emerge como exemplo mundial ao rejeitar o estatismo e abraçar as ideias da Escola Austríaca de Economia num período de encruzilhada civilizacional.
O estado revela-se cientificamente incapaz de coordenar a economia porque a informação necessária está dispersa entre milhares de milhões de pessoas, é predominantemente tácita e muda constantemente através da criatividade empreendedora. A coerção estatal bloqueia precisamente a função empresarial que geraria as soluções para os problemas sociais, tornando qualquer intervenção não apenas inútil mas contraproducente para o bem-estar dos cidadãos.
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- O estudante de economia formado na ortodoxia keynesiana - vai finalmente compreender porque o cálculo económico é impossível sem preços de mercado livres e como a expansão monetária deforma toda a estrutura produtiva
- O cético que acredita ser impossível viver sem estado - vai descobrir como a ordem espontânea do mercado coordena milhões de preferências dispersas e fornece todos os serviços de forma mais eficiente, moral e sem coerção
- O jovem argentino ou português que assiste às mudanças políticas no mundo - vai entender o fundamento teórico da revolução libertária e porque o desmantelamento do estado é a única alternativa às crises permanentes do estatismo
1Ordem espontâneaOrganização natural que surge sem ninguém mandar.
É quando a sociedade se organiza sozinha, sem um plano central, como acontece com uma língua ou um mercado. Huerta de Soto diz que o mercado funciona precisamente porque ninguém está a comandá-lo de cima. Um exemplo: ninguém planeou a Internet, mas ela organizou-se e cresceu sozinha.
2EstatismoA crença de que o estado deve controlar a sociedade e a economia.
É a ideia de que o governo sabe mais que os cidadãos e deve gerir as suas vidas. O discurso diz que o estatismo é a origem das guerras, crises e conflitos sociais. Em Portugal, o controlo de rendas ou a gestão centralizada da saúde são exemplos de estatismo.
3EstatolatriaAdoração do estado como se fosse um deus.
É tratar o estado como a solução para todos os problemas, quase como uma religião. Huerta de Soto chama-lhe a doença social mais perigosa do nosso tempo. Quando alguém diz 'o estado devia resolver isto' para cada problema da vida, está a cair em estatolatria.
4AnarcocapitalismoSociedade organizada apenas por acordos livres, sem estado.
É a ideia de que todos os serviços, incluindo justiça e segurança, podem ser fornecidos por empresas privadas em competição. O professor defende que esta é a continuação natural do liberalismo clássico. Empresas de segurança privada já existem e funcionam em muitos países.
5Função empreendedoraA capacidade humana de descobrir oportunidades e criar valor.
É a faculdade que cada pessoa tem de ver oportunidades que outros não vêem e agir sobre elas. Huerta de Soto diz que é esta criatividade que resolve os problemas da sociedade — nunca o governo. Um exemplo: alguém percebe que falta um café numa zona e abre um lá.
6Teorema da impossibilidade do socialismoÉ impossível o governo planear a economia com sucesso.
Segundo a Escola Austríaca, o estado nunca consegue reunir a informação necessária para tomar decisões económicas corretas. O discurso explica quatro razões para isto: informação dispersa, tácita, em constante mudança e bloqueada pela imposição governamental. A queda do Muro de Berlim em 1989 é vista como confirmação prática.
7Informação tácitaConhecimento que temos mas não conseguimos explicar por palavras.
É o saber fazer coisas sem conseguir descrever como — como andar de bicicleta ou nadar. O discurso diz que esta informação nunca chega ao governo, por isso ele falha sempre nas suas decisões. Um padeiro sabe fazer pão, mas não consegue escrever um manual perfeito.
8Bens públicosServiços que o estado diz que só ele pode fornecer.
É a ideia de que certas coisas como estradas, escolas ou segurança não podem ser deixadas ao mercado. Huerta de Soto diz que isto é falso — tudo pode ser produzido de forma mais eficiente e moral por privados. Autoestradas concessionadas a empresas privadas já funcionam em vários países.
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em 2 de março de 2026