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Bourne sobre a Guerra
Site· Mises Portugal· Wendy McElroy, Paulo Jorge Cruchinho

Bourne sobre a Guerra

Resumo

Randolph Bourne identificou a guerra como o mecanismo supremo de fortalecimento do estado, observando como os conflitos transformam cidadãos independentes num "rebanho" obediente que confunde governo, estado e sociedade. Esta análise, escrita durante a Primeira Guerra Mundial, mantém relevância atual dado o prolongamento indefinido de conflitos que alimentam o poder estatal à custa da liberdade individual.

A guerra elimina a distinção crítica entre sociedade pacífica - onde indivíduos cooperam livremente segundo os seus interesses - e o estado, que utiliza o conflito para justificar coerção, recrutamento forçado e supressão de dissidência. Quando o estado goza de "saúde" através da guerra, o individualismo morre, substituído por uma obediência infantil que aceita a destruição de meios de subsistência e vidas em nome de um patriotismo fabricado.

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  • O patriota convicto - vai descobrir como o estado usa a guerra para fundir governo, sociedade e aparelho estatal numa só entidade, transformando cidadãos livres em "crianças obedientes" que aceitam passivamente a destruição dos seus próprios direitos.
  • O intelectual ou estudante universitário - vai compreender como a guerra corrompe o pensamento crítico e converte supostos guardiões da verdade em apologistas acríticos do poder estatal, precisamente quando a sociedade mais precisa de vozes independentes.
  • O cidadão preocupado com conflitos atuais - vai reconhecer os mecanismos de manipulação emocional que o estado usa repetidamente para justificar intervenções militares intermináveis, desde o patriotismo fabricado até à intimidação de quem ousa questionar as "medidas necessárias" das autoridades.

Confusão Entre estado e Sociedade - O estado apaga deliberadamente as fronteiras entre governo, estado e sociedade em tempo de guerra, fazendo com que qualquer crítica ao governo ou às atitudes militares passe a ser interpretada como traição à nação, transformando dissidência legítima em crime.
Instrumentalização Emocional do Patriotismo - O estado utiliza uma "engenhosa mistura de persuasão, agitação e intimidação" para transformar cidadãos autónomos num "rebanho" que obedece cegamente, explorando o medo e o orgulho nacional para suprimir o pensamento crítico e arrastar indivíduos para uma guerra que não escolheram.
Falsa Escolha e Consentimento Fabricado - O estado apresenta o alistamento e o apoio à guerra como opções livres, mas revela a natureza coerciva quando alguém recusa, mostrando que "a escolha nunca fora uma questão real" e aplicando penas "muito mais severas do que as aplicadas aos crimes concretos" àqueles que ousam discordar.

  1. 1estadoConceito político que concentra poder e exige lealdade absoluta.

    É a instituição que reclama o uso exclusivo da força num território. Bourne mostra como o estado se fortalece com guerras, fundindo-se com a sociedade e eliminando o individualismo. Em vez de servidores públicos, transforma cidadãos em súbditos obedientes.

  2. 2governoA administração prática do estado, sem rituais de veneração.

    São os serviços quotidianos, como os correios ou as escolas, com funcionários comuns. Bourne distingue governo de estado: o primeiro é burocrático, o segundo é quase religioso. Em tempo de paz, as pessoas lidam com o governo sem o emocionalismo patriótico.

  3. 3Sociedade civilRede espontânea de relações entre pessoas livres.

    Inclui famílias, comunidades religiosas, tradições e comércio pacífico. Bourne explica que a sociedade e o estado são antagónicos: a primeira é tolerante e cooperativa, o segundo é agressivo e competitivo. A guerra destrói esta ordem espontânea em benefício do poder estatal.

  4. 4Interesse próprioAção guiada pelos objetivos e valores de cada pessoa.

    Em tempo de paz, as pessoas perseguem os seus projectos, trabalham e cooperam voluntariamente. Bourne observa que a guerra inverte isto: o indivíduo deixa de existir para si e passa a existir para o estado. O mercado livre baseia-se neste princípio, ao contrário da coação estatal.

  5. 5IndividualismoRespeito pela autonomia e pelas escolhas de cada ser humano.

    Bourne argumenta que a guerra é a morte do individualismo. A pessoa que discorda sente-se impotente, enquanto quem obedece ganha uma falsa segurança. O estado transforma indivíduos livres em crianças obedientes sobre um elefante furioso que eles não controlam.

  6. 6RebanhoMassa humana manipulada pelo estado em tempo de guerra.

    Bourne descreve como o estado molda as pessoas por persuasão, agitação e intimidação. O cidadão passa a denunciar os vizinhos e a angariar fundos para o esforço de guerra. É a submissão psicológica à autoridade, um medo disfarçado de orgulho patriótico.

  7. 7Complexo militar-industrialAliança entre estado e empresas que lucram com guerras.

    O artigo refere-se aos 'fabricantes de munições' que enriquecem com conflitos. A guerra não é apenas política: é um negócio rentável para quem tem ligações ao poder. O estado gasta dinheiro roubado aos contribuintes em armas e destruição.

  8. 8Recrutamento obrigatórioForçar cidadãos a servir nas forças armadas do estado.

    Bourne menciona as penas severas para quem questiona esta prática. É a forma extrema de coação estatal: o estado apropria-se do corpo e da vida das pessoas. Nenhum mercado livre poderia obrigar alguém a morrer contra a sua vontade.

  9. 9PatriotismoSentimento de lealdade explorado pelo estado em tempo de guerra.

    Bourne explica como o patriotismo apaga a distinção entre estado, nação e governo na mente das pessoas. Em tempo de paz, criticar o presidente é aceitável; em guerra, é visto como traição. Esta emoção coletiva justifica atrocidades que ninguém cometeria individualmente.

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