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Três bloqueios ao crescimento são álibis do estado
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Três bloqueios ao crescimento são álibis do estado

Análise Libertária

Os três bloqueios ao crescimento? Não: os três álibis do estado

O texto não passa de mais um exercício típico da economia institucional: descrevem-se sintomas com ar grave, mas evita-se cuidadosamente qualquer referência à causa real.

O autor, Óscar Afonso, cumpre o ritual académico com zelo: fala-se de produtividade, centralismo e investimento como se fossem forças da natureza, desligadas de decisões políticas concretas. É a economia como literatura de evasão.

Comecemos pela chamada "baixa produtividade". O argumento é sempre o mesmo: Portugal especializou-se em sectores de pouco valor acrescentado, logo paga salários baixos. Mas isto é inverter a causalidade. Os empresários portugueses não pagam salários baixos porque querem; pagam-nos porque são sistematicamente impedidos de acumular capital.

Num país onde os lucros são moralmente suspeitos, os dividendos são taxados a 28% e as mais-valias tratadas como pecado original, a formação de capital é sabotada à partida. Sem capital, não há investimento produtivo; sem investimento, não há aumento sustentado de produtividade. O único sítio onde ainda se pode "alavancar" é nos salários - precisamente aquilo que depois se aponta como problema.

A isto soma-se um mercado de trabalho brutalmente rígido, onde despedir é um calvário jurídico e financeiro. Cada contratação torna-se um risco existencial para a empresa. O resultado é óbvio para qualquer pessoa minimamente honesta: salários de entrada baixos como mecanismo de defesa. Não é falha moral, nem atraso cultural. É racionalidade económica num ambiente hostil. Fingir surpresa perante este resultado é insultar a inteligência do leitor.

Portugal seria demasiado centralizado, dizem, e isso travaria o crescimento. A solução implícita, nunca dita mas sempre insinuada, é a regionalização - isto é, espalhar mais sinecuras pelo território, criar mais centros de decisão, mais orçamentos, mais cargos, mais clientelas.

Chamar descentralização a isto é um truque de semântica. O problema não é Lisboa concentrar poder; o problema é o estado, onde quer que esteja, roubar de forma obscena a população. Em 2026, a máquina fiscal irá "absorver" cerca de 140 mil milhões de euros - o equivalente a aproximadamente 13 mil euros por português, incluindo crianças e idosos. Enquanto este saque persistir, não há autonomia local, não há dinamismo regional, não há nada. Apenas muda do ladrão central para o regional.

Por fim, o "fraco investimento". Aqui o ensaio entra no domínio da comédia involuntária. Quem, em perfeito juízo, investiria num país com uma regulação kafkiana, legislação fiscal em permanente mutação e uma união europeia especializada em transformar qualquer actividade económica num labirinto burocrático?

O exemplo recente das rendas das casas é paradigmático: o estado anuncia, com fanfarra propagandística, uma redução temporária do IRS - três anos - como se isso fosse um incentivo sério ao investimento imobiliário. Três anos, quando o retorno de um investimento destes se mede em décadas. É difícil saber se isto é ignorância económica ou simples gozo institucional.

Nenhum investidor racional acredita em promessas fiscais temporárias num regime onde tudo pode ser revertido com uma mudança de governo. Hoje oferecem uma "borla fiscal" - eufemismo para definir o roubar menos; amanhã aparece outro executivo e muda as regras. O risco político é estrutural, permanente e perfeitamente previsível. O que é imprevisível é alguém investir apesar disso.

No fim, o "ensaio" conclui que Portugal precisa de mudar o seu modelo de crescimento. Verdade. Mas omite o essencial: não se muda modelo nenhum enquanto o estado confiscar sistematicamente o excedente, hostilizar o lucro, punir a acumulação de capital e tratar quem produz como suspeito por defeito.

Falar de produtividade sem falar da roubalheira dos impostos e da regulação kafkiana é desonestidade intelectual. Falar de investimento sem falar de segurança jurídica é propaganda. Falar de centralismo sem falar de roubo fiscal é distracção.

Os bloqueios ao crescimento não são três. São um só - e têm nome, orçamento e Diário da República.

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  • O pequeno empresário sufocado por impostos - vai finalmente entender que os salários baixos não são culpa sua, mas consequência de um sistema que impede a acumulação de capital.
  • O jovem trabalhador que se pergunta por que ganha tão pouco - vai descobrir que o problema não é a produtividade, mas sim o estado que confisca o excedente e torna cada contratação um risco.
  • O contribuinte cansado de ouvir promessas fiscais temporárias - vai perceber que nenhum investimento sério acontece enquanto o risco político for estrutural e a segurança jurídica inexistente.

Inversão de Causalidade - A narrativa académica e oficial afirma que Portugal paga salários baixos porque se especializou em sectores de pouco valor acrescentado, quando na realidade são os impostos sobre lucros, dividendos e mais-valias que impedem a acumulação de capital e impossibilitam investimento produtivo sustentado.
Eufemismo Institucional - O estado apresenta uma redução temporária de IRS de três anos como "incentivo ao investimento", disfarça com "descentralização" a criação de mais burocracia regional, e chama "borla fiscal" ao facto de confiscar temporariamente menos rendimentos aos cidadãos.
Ocultação de Causa Real - O debate sobre os supostos "três bloqueios ao crescimento" é apresentado como se produtividade, centralismo e investimento fossem forças da natureza ou problemas técnicos, escondendo deliberadamente que o único bloqueio é o próprio estado que confisca 140 mil milhões de euros anuais e sabota a segurança jurídica.

  1. 1Acumulação de capitalPoupança reinvestida para produzir mais no futuro.

    É quando empresários guardam lucros para comprar máquinas, tecnologia ou formar trabalhadores. O texto mostra como impostos altos e hostilidade ao lucro travam isto em Portugal. Sem capital acumulado, não há forma de pagar salários melhores.

  2. 2Risco políticoPerigo de o governo mudar regras a meio do jogo.

    É a incerteza sobre o que os políticos vão fazer às leis e impostos. O artigo dá o exemplo das reduções fiscais temporárias de três anos que ninguém leva a sério. Quem investe precisa de saber as regras para as próximas décadas.

  3. 3Segurança jurídicaConfiança de que as regras não mudam com cada novo governo.

    É a estabilidade de contratos e leis ao longo do tempo. O texto critica a legislação fiscal em permanente mutação. Um investidor não mete dinheiro se as regras podem mudar amanhã sem aviso.

  4. 4Imposto como confiscoO estado tirar à força o que outros produziram.

    Na visão libertária, impostos não são contribuição — são apropriação forçada. O texto fala em 140 mil milhões de euros confiscados em 2026, cerca de 13 mil por pessoa. É o estado a viver à custa de quem trabalha.

  5. 5RegulaçãoRegras impostas pelo poder que atrapalham decisões económicas.

    São leis e normas que o estado força sobre actividades económicas. O texto cita regulação kafkiana que transforma negócios em labirintos. Quanto mais regras, menos gente consegue produzir e empregar.

  6. 6LucroGanho que sobra depois de pagar custos de produção.

    É o sinal de que alguém criou valor para outros — não algo sujo ou imoral. O artigo critica como em Portugal lucros são tratados como pecado original. Sem expectativa de lucro, ninguém arrisca capital nem cria emprego.

  7. 7Racionalidade económicaPessoas agirem segundo o seu interesse, dados os incentivos existentes.

    Não é egoísmo — é responder de forma lógica ao ambiente. O texto explica salários baixos como resposta a um ambiente hostil criado pelo estado. Empresários não pagam pouco por maldade — pagam porque o estado os obriga a isso.

  8. 8Excedente económicoO que sobra depois de cobrir custos básicos de produção.

    É a riqueza criada acima do mínimo necessário para sobreviver. O texto diz que o estado confisca sistematicamente o excedente. Sem excedente, não há poupança, nem investimento, nem progresso possível.

  9. 9Formação de capitalProcesso de juntar recursos para investir no futuro.

    É poupar e reinvestir para ter mais capacidade produtiva mais tarde. O artigo diz que em Portugal isto é sabotado à partida por impostos sobre dividendos e mais-valias a 28 por cento. É a base de qualquer economia que queira crescer.