
Bancos apanhados de surpresa com reforço de poder do Banco de Portugal no crédito
O Expresso publica mais uma peça de propaganda estatal que normaliza o reforço do poder discricionário do Banco de Portugal sobre o crédito bancário, amplificando a narrativa de que "regras vinculativas" e novas "taxas de supervisão" são medidas técnicas e inevitáveis para a "estabilidade financeira". O artigo vende a ideia de que o governador, Álvaro Santos Pereira, age com bom senso ao querer tornar recomendações em lei e cobrar mais aos bancos, omitindo que se trata de mais uma camada de controlo centralizado sobre decisões de troca voluntária. Na realidade, o que o texto embrulha é o sonho húmido de qualquer burocrata: transformar o banco central num super-regulador com poder de sanção e financiamento à custa do sector privado, enquanto o estado social-democrata aperta o cerco à liberdade contratual.
Conteúdo difundido por uma fonte financiada, protegida ou condicionada pelo estado, usado para normalizar coerção, burocracia e dependência política.
Análise Libertária
O Expresso amplifica a intenção do governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, de tornar vinculativas as recomendações macroprudenciais sobre o crédito à habitação. Este movimento representa mais um passo na centralização do poder monetário e creditício nas mãos de uma burocracia não eleita. A ideia de que um punhado de tecnocratas sabe melhor que milhões de indivíduos quanto devem pedir emprestado é a essência do planeamento central. O governador queixa-se de que as recomendações atuais, como o prazo máximo de 30 anos, não são cumpridas, e por isso quer força de lei para impor sanções. Nunca se pergunta se a própria intervenção estatal no mercado de crédito é a causa das distorções.
A banca, apanhada de surpresa, manifesta desconforto, mas não questiona o princípio da intervenção. A Associação Portuguesa de Bancos diz que não fomos abordados sobre a passagem das recomendações macroprudenciais a vinculativas. Este é o método habitual do estado: primeiro anuncia-se a intenção nos meios de propaganda, depois impõe-se o facto consumado. O argumento de que "não havendo incumprimento não se justifica" é fraco, porque aceita que o estado tem legitimidade para definir regras. O verdadeiro problema é o estado ter qualquer poder para ditar condições de crédito, distorcendo os preços e impedindo o cálculo económico.
O crédito à habitação cresceu 10,7% face a abril de 2025, o maior aumento desde 2003, muito acima da média europeia de 2,9%. O Expresso vende isto como um problema que exige mais regulação. Na perspetiva austríaca, o crescimento do crédito é sintoma da expansão monetária do Banco Central Europeu, que artificialmente baixa as taxas de juro e inflaciona os preços dos ativos. O estado, em vez de parar a impressão de moeda, quer controlar a saída de crédito, criando um ciclo de intervenções que nunca resolvem a causa. As famílias endividam-se porque o dinheiro fácil as engana sobre a verdadeira escassez de recursos.
O governador propõe reduzir a taxa de esforço de 50% para 45% e limitar as exceções a 55%, além de ajustar as maturidades máximas. Isto é apresentado como proteção ao consumidor, mas é paternalismo coercivo. Cada adulto deve ser livre para assumir os riscos que entende, desde que não agrida terceiros. O estado não tem o direito de decidir quanto uma família pode gastar em habitação. As regras macroprudenciais são uma forma de planeamento central que ignora as preferências individuais e a diversidade de situações. O resultado é a redução da oferta de crédito para os mais pobres, que ficam excluídos do mercado.
A taxa de supervisão que o Banco de Portugal quer cobrar aos bancos é outro imposto disfarçado. O governador diz que Portugal é um dos poucos países da União Bancária que não recupera os custos de supervisão. Isto significa que o estado quer cobrar às empresas um serviço que ele próprio criou e que é obrigatório. Os bancos já pagam contribuições para o Fundo de Resolução e a contribuição sobre o sector bancário, que são custos artificiais que encarecem o crédito. A APB alerta que há duplicação com a taxa paga ao BCE, mas aceita o princípio de que o estado deve ser financiado pelos bancos. Na verdade, toda a supervisão é uma barreira à entrada e um custo para os consumidores.
O artigo também menciona o interesse de bancos espanhóis no BCP e o reforço do Banco Português de Fomento em 1,5 mil milhões de euros. O BPF é apresentado como "motor do crescimento económico", mas é apenas um veículo de redistribuição de dinheiro dos contribuintes para empresas escolhidas politicamente. O estado não cria riqueza; apenas a transfere, com custos de burocracia e corrupção. O BPF gere 10% do PRR, que é dívida pública disfarçada de investimento. O dinheiro que o estado "mobiliza" é sempre confiscado primeiro aos cidadãos. O crescimento artificial do crédito público só adia o ajuste necessário.
A conclusão é clara: o Expresso normaliza a expansão do poder do Banco de Portugal como se fosse inevitável e desejável. Centralizar o poder do banco central era o sonho húmido de Karl Marx, e os sociais-democratas são mais competentes a realizá-lo do que os socialistas declarados. As medidas anunciadas são mais impostos, mais regulação e menos liberdade. O mercado de crédito, se deixado em paz, ajustar-se-ia naturalmente através dos preços e das taxas de juro. O estado, ao intervir, cria os problemas que depois diz resolver. A única solução é acabar com o monopólio do banco central, permitir a concorrência monetária e devolver aos indivíduos o poder de decidir o seu próprio endividamento.
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- O jovem que sonha comprar casa - vai perceber que o banco central quer controlar o crédito como se fosse um comissário político, não um supervisor
- O pequeno empresário que precisa de financiamento - vai descobrir que a nova taxa de supervisão é mais um imposto disfarçado que encarece o crédito e estrangula o investimento
- O contribuinte que já paga impostos a mais - vai entender que o estado quer sugar ainda mais dinheiro dos bancos, que depois o passam para os clientes, tudo em nome da "estabilidade"
1Expansão monetária (Monetary expansion)Aumento da base monetária que distorce preços e causa ciclos.
A expansão monetária é a criação de moeda pelo banco central, geralmente para financiar dívida pública ou injectar liquidez. Neste artigo, o BCE e o BdP permitem um crescimento do crédito à habitação de 10,7%, alimentando a expansão. Mais moeda significa juros artificiais baixos, que incentivam endividamento excessivo e bolhas de activos. Para um libertário, esta intervenção viola a propriedade privada ao diluir o poder de compra de quem poupa. O resultado é a má alocação de recursos, como o sobre-aquecimento imobiliário em Portugal.
2Risco moral (Moral hazard)Incentivo perverso quando os bancos sabem que serão resgatados.
O risco moral ocorre quando uma entidade fica protegida das consequências dos seus actos. O BdP, ao querer tornar recomendações vinculativas, admite que os bancos não cumprem regras voluntariamente. Mas a verdadeira causa é a garantia implícita de resgate do BCE e do estado. Os bancos emprestam sem cautela porque esperam ser salvos. Este artigo mostra que o próprio supervisor quer mais poder para impor limites, em vez de eliminar o risco moral. A solução libertária é acabar com os resgates e deixar os bancos falirem.
3Ciclo económico (Business cycle)Flutuações causadas por expansão creditícia artificial.
O ciclo económico, segundo a escola austríaca, é gerado pela expansão do crédito a taxas de juro inferiores às de mercado. O artigo revela que o crédito à habitação cresceu 10,7%, muito acima da média europeia. Isto sinaliza uma fase de boom artificial, alimentada pelo BCE e pelo BdP. Mais tarde, virá a contracção, com incumprimentos e quedas de preços. O estado culpa os bancos e as famílias, mas o verdadeiro culpado é a política monetária que interfere no cálculo económico.
4Intervenção estatal (Government intervention)Acção do estado que restringe a liberdade de contratar.
A intervenção estatal é toda a acção que substitui a escolha voluntária por imposição coerciva. Neste artigo, o BdP quer tornar recomendações vinculativas, ou seja, obrigar os bancos a cumprir limites de crédito, prazos e taxas de esforço. Isto substitui a decisão dos agentes de mercado por uma regra burocrática. Para um libertário, cada intervenção distorce os sinais de preço e impede que os contratos reflectiam preferências reais. O resultado é menos eficiência e mais fragilidade.
5Cálculo económico (Economic calculation)Processo de usar preços de mercado para avaliar recursos.
O cálculo económico é a capacidade de comparar custos e benefícios através de preços de mercado. Quando o estado impõe limites ao crédito, como a redução da taxa de esforço ou a maturidade máxima, interfere nos preços dos empréstimos. Bancos e famílias perdem a referência para decidir quanto poupar ou investir. O artigo mostra o BdP a tentar adivinhar níveis "seguros" de endividamento, algo impossível sem preços livres. A consequência é a má afectação do capital e a redução do bem-estar.
6Imposto sobre o sector bancário (Bank levy)Taxa cobrada aos bancos, que é um confisco de propriedade.
O imposto sobre o sector bancário é uma contribuição obrigatória imposta pelo estado, que o artigo menciona como "contribuição sobre o sector bancário" e "taxa de supervisão". Para um libertário, isto é roubo, pois o estado confisca parte dos lucros dos bancos para financiar a sua própria burocracia. O BdP quer cobrar uma taxa para "recuperar custos" de supervisão, mas esses custos foram criados pelo próprio estado. O dinheiro arrecadado é desviado de usos produtivos para alimentar o aparelho estatal.
7Privilégio legal (Legal privilege)Benefício concedido pelo estado a certos grupos, como os bancos.
Privilégio legal é uma vantagem que o estado concede a alguns agentes económicos, negada a outros. Neste artigo, o BdP e o BCE são instituições com privilégios de emissão de moeda e supervisão. Além disso, o Banco Português de Fomento recebe um reforço de capital de 1,5 mil milhões de euros, dinheiro que era dos "contribuintes", que é um privilégio imenso. Os bancos privados também beneficiam de protecção estatal. Estes privilégios distorcem a concorrência e criam dependência do poder político.
8Propriedade privada (Private property)Direito exclusivo sobre bens e capital, violado por impostos e regulação.
A propriedade privada é o fundamento da liberdade. O artigo revela múltiplas violações: o estado impõe taxas de supervisão, restringe contratos de crédito e redistribui dinheiro que era dos "contribuintes" para o BPF. Cada nova regra macroprudencial é uma intromissão na forma como os bancos e as famílias usam os seus bens. Para um libertário, enquanto os contratos não envolvam fraude ou coerção, devem ser livres. O BdP age como se os activos privados fossem recursos públicos a gerir.
Informações
em 6 de junho de 2026
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