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Maior central solar de Portugal em insolvência
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Maior central solar de Portugal em insolvência

O expresso amplifica a narrativa de que a insolvência da Solara4, a maior central solar em Portugal, é um simples acidente de mercado - uma combinação de preços baixos, problemas técnicos e um diferendo com um empreiteiro chinês. O artigo vende a ideia de que o setor energético precisa de "planeamento" e de licenciamento célere para salvar projetos "estratégicos", como se a burocracia estatal não fosse parte do problema. Na realidade, o que a peça omite é que a viabilidade do projeto nunca foi decidida por consumidores e investidores em mercado livre: foi moldada por um quadro regulatório que distorce o cálculo económico e por decisões políticas de capacidade instalada. A fonte, parte do aparelho mediático financiado e condicionado pelo estado, serve para domesticar a opinião pública e normalizar a intervenção estatal no setor elétrico.

Fonte de propaganda estatal

Conteúdo difundido por uma fonte financiada, protegida ou condicionada pelo estado, usado para normalizar coerção, burocracia e dependência política.

Ouvir o podcastMaria e João discutem o artigo Maior central solar de Portugal em insolvência

Mistificação dos preços como fenómeno natural - O artigo apresenta a queda dos preços grossistas como consequência automática do aumento da oferta solar e não menciona que essa expansão foi induzida por subsídios, metas e privilégios do estado; citação: "Este aumento da oferta reduziu os preços grossistas, que por vezes caem para zero ou para valores negativos".
Naturalização do veto burocrático - O artigo trata os atrasos de licenciamento e as exigências do ICNF como obstáculos neutros e legítimos, como se o estado tivesse autoridade natural para decidir se o projeto avança ou morre; citação: "o processo de licenciamento da componente eólica tem enfrentado atrasos contínuos" e "resistência do ICNF, que veio exigir que o promotor reduzisse a dimensão do parque eólico".
Substituição do julgamento do proprietário por consultores - O artigo apresenta a entrega da gestão a empresas de consultoria como solução racional, quando são os mesmos incentivos distorcidos que criaram o problema; citação: "a Exus irá trabalhar com a consultora Enertis (especializada na área da energia) para estipular que investimento é preciso fazer para elevar a produção da central de Alcoutim".

Análise Libertária

O colapso da maior central solar de Portugal não é um acidente, é o resultado previsível de um mercado moldado pelo estado. A Solara4, em Alcoutim, no Algarve, entrou em insolvência depois de cinco anos a operar com preços distorcidos. O expresso embrulha a história como uma sucessão de azares, incluindo preços baixos, incêndios e problemas técnicos. A realidade é mais simples: o negócio nunca foi viável sem as muletas da regulação e dos subsídios. A Welink Energy Portugal 2 UK Limited, proprietária britânica do empreendimento, não consegue reembolsar os credores e arrasta a central para o abismo.

A central tem 220 megawatts de potência e faturou 47,2 milhões de euros em 2023, com um lucro de 2,9 milhões. Desde então, as receitas caíram a pique e a produção ficou consistentemente abaixo das previsões iniciais. Os preços grossistas no mercado ibérico caem frequentemente para zero, gerando receitas inferiores às esperadas. A descida dos preços é o espelho de uma expansão de capacidade imposta por decisões políticas. A dívida à construtora estatal chinesa CTIEC, agora em arbitragem, ascende a 143 milhões de euros.

O expresso amplifica a versão dos gestores, que culpam o empreiteiro chinês e os incêndios dos últimos doze meses. Mas o estado português e a união europeia empurraram este modelo com garantias, licenças e subsídios à produção. A regulação ambiental agora bloqueia a hibridização com eólicas e baterias, essencial para salvar o empreendimento. O estado cria o problema com uma mão e agrava-o com a outra, atrasando decisões durante meses. O ICNF exige reduzir o parque eólico e a agência portuguesa do ambiente ainda não decidiu o pedido.

Um negócio que depende de preços artificiais não sobrevive à verdade do mercado livre. Os 175 milhões de euros investidos representam capital privado aplicado num setor distorcido por decisões políticas. A normalização da coerção estatal faz com que os gestores peçam mais intervenção em vez de menos regras. O mercado ibérico da eletricidade é um sistema regulado onde os preços não refletem a escassez real. Os bancos Investec e Kommunalcredit Austria, principais credores, mantêm uma exposição de 64 milhões de euros.

O diretor da Welink, Hugo Paz, admite que uma central solar isolada não seria economicamente sustentável por si só. Ou seja, o negócio exigia mais eólicas, mais baterias e mais dinheiro de alguém que não fosse o mercado. A hibridização precisa de licenças que o próprio estado atrasa com pareceres, consultas públicas e exigências ambientais. A burocracia impede o cálculo económico e a adaptação dos agentes às condições reais do terreno. Os incêndios e as falhas de equipamento são detalhes perante o erro fundamental de negócio.

O expresso, media de propaganda do regime, serve de megafone a esta narrativa de impotência e má sorte. O jornal vende a ideia de que os investidores são vítimas de um mercado caprichoso e imprevisível. Na verdade, são vítimas das distorções que o próprio estado criou com décadas de planeamento energético. A transferência da gestão para a Exus e os relatórios da BDO são paliativos num doente terminal. Nenhum consultor internacional, por mais bem pago, salva um negócio que assenta em areia subsidiada.

O diferendo com a CTIEC revela outra dimensão do problema: a guerra entre dois sócios falidos. A construtora estatal chinesa ergueu a central, mas a Welink terminou o contrato em 2023, invocando o alegado abandono do projeto. Uma arbitragem em Portugal vai decidir quem paga o quê, enquanto os credores esperam. É a disputa entre dois gigantes a usar tribunais e relatórios para maquilhar um fracasso anunciado. Os 143 milhões de euros litigados são o custo de uma parceria feita à sombra do estado.

A lição é simples: sem preços livres, ninguém sabe se um projeto é viável antes de o construir. A narrativa das renováveis fortemente subsidiadas como única via racional foi uma escolha política, não económica. Cada megawatt instalado à força condena outro projeto ao colapso no dia em que as ajudas terminam. Os portugueses pagam duas vezes: nos subsídios que financiam as centrais e nos preços finais da energia. O estado confisca o dinheiro que era dos "contribuintes" para pagar a fatura dos seus caprichos energéticos.

Enquanto Lisboa continuar a planear a energia como quem planeia uma economia central, estes colapsos vão repetir-se. A insolvência da Solara4 não é uma exceção, é o padrão de um setor vivo à custa do confisco. O dinheiro que financiou a central era dos "contribuintes" e nunca mais voltará ao bolso de origem. O mercado livre, sem subsídios e sem licenças discricionárias, teria evitado todo este desperdício calculado.

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  • O pequeno investidor em painéis solares - vai reconhecer que os preços negativos da eletricidade não são um acaso do mercado, são o resultado de anos de incentivos estatais que empurraram a geração solar para lá da procura real.
  • O gestor de uma pequena empresa industrial - vai perceber que a insolvência da Solara4 expõe o risco de contratar eletricidade num mercado distorcido pelo estado e pelos bancos centrais. Preços zero ou negativos parecem uma bênção, mas significam que os investimentos foram feitos com capital mal alocado, e quem paga isso são os clientes finais e os "contribuintes".
  • O "contribuinte" que paga a fatura da energia - vai ver no artigo mais um exemplo de como o estado empurra a conta para fora do orçamento. Os 143 milhões de euros em disputa foram cobertos por crédito e promessas, não por lucro, e se houver nacionalização ou resgate, o dinheiro sai do bolso de quem nunca assinou o contrato.

  1. 1Cálculo económico (Economic calculation)Impossível sem preços de mercado livres.

    É a capacidade de decidir investimentos comparando custos e receitas em dinheiro. Neste artigo, a central solar foi construída com base em previsões que falharam porque os preços da eletricidade caíram para zero. Sem preços que reflitam a escassez real, os empresários não conseguem saber se um projeto é viável. O estado, ao subsidiar e planear a energia, distorce esses preços. O resultado é desperdício e insolvência, como se vê com a Solara4.

  2. 2Sinal de preço (Price signal)Preços guiam decisões; distorcidos, enganam.

    Os preços transmitem informação sobre oferta e procura. Quando o estado incentiva a produção solar em massa, os preços caem, por vezes para valores negativos. Isso indica que há excesso de oferta, mas os investidores já tinham comprometido capital. Os preços negativos são um sinal de que o mercado está saturado. Ignorar esses sinais leva a projetos como o de Alcoutim, que não geram receitas suficientes.

  3. 3Intervenção estatal (State intervention)Distorce mercados e causa desequilíbrios.

    É qualquer ação do estado que interfere nas trocas voluntárias. Neste caso, o estado incentivou a energia solar, criando uma bolha de oferta. Também atrasa licenças para eólica e baterias, impedindo a adaptação do projeto. Cada intervenção tem consequências não planeadas. O estado nunca é neutro; as suas políticas beneficiam uns e prejudicam outros, muitas vezes levando a insolvências.

  4. 4Empreendedorismo (Entrepreneurship)Assumir riscos com base em previsões.

    É a função de antecipar necessidades futuras e investir. A Welink apostou numa central solar, mas falhou nas previsões de produção e preços. O empreendedor assume o risco; quando erra, sofre as consequências. Isso é natural no mercado. O problema é quando o estado distorce os sinais, levando a erros em massa. A insolvência é o mecanismo que corrige esses erros, mas com custos para os credores.

  5. 5Insolvência (Bankruptcy)Falência é o mercado a corrigir erros.

    É o processo legal quando uma empresa não consegue pagar as dívidas. A Solara4 entrou em insolvência porque as receitas não cobrem os custos. Isto é o mercado a dizer que o projeto não era viável. A falência permite redistribuir os ativos para usos mais produtivos. É um mecanismo de limpeza, embora doloroso para os envolvidos. Sem insolvência, os erros acumular-se-iam.

  6. 6Direitos de propriedade (Property rights)Base da liberdade e dos contratos.

    São os direitos de usar, usufruir e dispor dos bens. Neste artigo, a disputa entre a Welink e a CTIEC mostra a importância de contratos claros. Quando o estado interfere, os direitos de propriedade ficam menos seguros. A arbitragem é uma forma de resolver conflitos sem violência. Respeitar a propriedade é essencial para o funcionamento do mercado.

  7. 7Contratos (Contracts)Acordos voluntários que criam obrigações.

    São acordos entre partes para trocar bens ou serviços. A Welink contratou a CTIEC para construir a central, mas o contrato foi rescindido. Isto mostra que os contratos são fundamentais, mas podem falhar. O estado deve limitar-se a fazer cumprir os contratos, não a reescrevê-los. A arbitragem é preferível à intervenção estatal. Contratos livres são a base da cooperação.

  8. 8Ordem espontânea (Spontaneous order)Mercado organiza-se sem planeamento central.

    É a ideia de que a cooperação social surge das ações individuais, sem um plano central. O mercado de energia, com muitos produtores e consumidores, é um exemplo. Quando o estado planeia, como no incentivo à solar, cria desequilíbrios. A ordem espontânea ajusta-se melhor às mudanças. A insolvência da Solara4 é parte desse ajustamento.

  9. 9Custo de oportunidade (Opportunity cost)O que se perde ao escolher uma opção.

    É o valor da melhor alternativa sacrificada. Ao investir 175 milhões de euros na central solar, a Welink abdicou de outros usos desse capital. Se o projeto falha, o custo de oportunidade é ainda maior. Os empresários devem avaliar isso, mas com preços distorcidos, é difícil. O estado, ao subsidiar, esconde os custos reais. Isso leva a decisões erradas.

  10. 10Ciclo económico (Business cycle)Expansão artificial seguida de recessão.

    É a flutuação da atividade económica causada por expansão monetária e crédito fácil. Neste caso, o estado e os bancos centrais criaram condições para um boom solar. O crédito barato levou a sobreinvestimento. Quando os preços caem, o boom revela-se insustentável. A insolvência é a fase de contração. O ciclo é um fenómeno monetário, não natural.