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Teoria dos jogos #9: A guerra EUA-Irão

Análise Libertária

A execução de Qasem Soleimani em janeiro de 2020 marcou um ponto de inflexão nas tensões entre o Irão e os Estados Unidos da América. O que inicialmente parecia ser uma operação cirúrgica limitada revelou as fissuras profundas de uma estratégia geopolítica construída sobre areais movediços. O general iraniano não era apenas um comandante militar, mas o arquiteto de uma rede de influência que se estende do Mediterrâneo ao Índico. A sua eliminação não neutralizou ameaças - criou um vácuo que potências regionais depressa ocuparam. A distinção entre xiitas e sunitas, frequentemente ignorada em análises ocidentais, continua a ser o factor determinante para compreender as alianças e rivalidades que moldam o Médio Oriente.

O modelo de desenvolvimento de Dubai ilustra a fragilidade de economias que dependem de proteção externa para manter a sua prosperidade artificial. Os emirados do Golfo funcionam como centros logísticos que exigem neutralidade para preservar os fluxos comerciais e atrair investimento estrangeiro. Esta pretensa neutralidade colapsa no momento em que conflitos regionais ameaçam os milhares de expatriados ocidentais que aí trabalham e vivem. A prosperidade construída sobre bases tão precárias não é sustentável a longo prazo - é uma ilusão mantida por acordos tácitos com potências militares. A dependência em relação à segurança americana transforma estes estados em reféns estratégicos de decisões tomadas a milhares de quilómetros de distância.

O Estreito de Ormuz representa o estrangulamento crítico através do qual passa aproximadamente 75% do petróleo destinado à Ásia, Índia, Paquistão e Japão. Qualquer interrupção neste corredor marítimo provocaria consequências em cascata que se fariam sentir nas economias de todo o mundo. Os países do Conselho de Cooperação do Golfo enfrentam o espectro de uma revolução xiita que poderia alterar completamente o equilíbrio de poder regional. A dependência energética criou uma vulnerabilidade estratégica que nenhum exército consegue resolver através de força bruta. As nações que dependem destes fluxos de petróleo encontram-se à mercê de decisões tomadas em Teerão, Riade ou Washington.

A geografia montanhosa do Irão transforma o país numa fortaleza natural cuja conquista exigiria recursos humanos e materiais impossíveis de mobilizar. Enquanto os estados do Golfo dependem de instalações de dessalinização para obter água potável, o Irão dispõe de recursos hídricos e uma topografia que favorece a defesa. As plantas de dessalinização são alvos vulneráveis que não podem ser protegidos contra mísseis de cruzeiro ou drones de baixo custo. Um único ataque coordenado contra estas infraestruturas privaria milhões de pessoas de acesso a água em questão de dias. Esta assimetria geográfica confere ao Irão uma vantagem estratégica que compensa a sua inferioridade tecnológica e militar convencional.

A doutrina militar americana do "choque e pavor" foi concebida para conflitos do século XX e revela-se inadequada para enfrentar adversários descentralizados. A ideia de que decapitar a liderança inimiga provoca o colapso do organismo militar ignora a natureza fragmentada das forças iranianas e das suas forças proxy. Cada região dispõe de estruturas de comando autónomas capazes de continuar a operar mesmo após a eliminação da cúpula dirigente. A infraestrutura militar americana no Médio Oriente é uma fachada incapaz de sustentar uma guerra prolongada no século XXI. O investimento de biliões em bases e equipamentos não se traduz em capacidade de projectar poder efectivo contra adversários determinados.

A assimetria de custos entre sistemas ofensivos e defensivos torna qualquer confronto prolongado insustentável para o orçamento militar americano. Enquanto um míssil iraniano custa entre 35.000 e 80.000 dólares, cada interceptor do sistema THAAD custa aproximadamente um milhão de dólares. Esta relação de custos significa que mesmo uma defesa bem-sucedida resulta em falência financeira para quem tenta neutralizar ataques de baixo custo. A economia de guerra moderna favorece quem consegue infligir danos desproporcionais ao investimento realizado. Os drones iranianos amplificam esta assimetria, permitindo ataques precisos sem expor pessoal ou equipamentos de elevado valor.

A crise hídrica que afeta o Médio Oriente representa um factor de instabilidade que transcende querelas religiosas ou políticas. A Arábia Saudita e os seus vizinhos consomem recursos muito além da capacidade de regeneração dos seus ecossistemas, criando uma bolha demográfica insustentável. O stresse ambiental e a pegada ecológica destas nações apontam para colapsos sociais que nenhuma quantidade de petróleo consegue evitar. A escassez de água doce será o catalisador de conflitos que farão as atuais tensões parecerem mero prefácio. O Irão, apesar da sua posição geográfica mais favorável, enfrenta também problemas graves de acesso a água potável que alimentam descontentamento interno.

O sistema de petrodólares constitui a base sobre a qual o império financeiro americano se sustenta desde o colapso de Bretton Woods. Os países que vendem petróleo em dólares reciclam essas receitas nos mercados financeiros americanos, alimentando um ciclo que permite défices crónicos. A bolsa americana funciona como o verdadeiro motor de crescimento económico, sustentada por empresas tecnológicas que dependem de capital global para manter a sua valorização. Qualquer ameaça ao domínio do dólar no comércio de petróleo representa um risco existencial para o modelo económico americano. A China compreende esta dinâmica e prepara-se para proteger os seus interesses energéticos independentemente do cenário que venha a desenhar-se no Médio Oriente.

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  • O investidor consciente - vai compreender como o sistema de petrodólares sustenta artificialmente a economia americana e por que é que a instabilidade no Médio Oriente ameaça esse frágil equilíbrio financeiro.
  • O cético da intervenção militar estatal - vai confirmar como a doutrina do "choque e pavor" é um desperdício de recursos dos contribuintes, criando apenas mais caos sem nunca atingir os objectivos propagandeados.
  • O interessado em geopolítica realista - vai compreender as verdadeiras motivações por trás das tensões regionais, desde o controlo do Estreito de Ormuz até à crise da água, sem as ilusões vendidas pelos meios de comunicação convencionais.

Ocultação de Motivações Económicas - O estado americano apresenta as suas intervenções no Médio Oriente como missões de "segurança" e "estabilidade", quando o objetivo real é manter o sistema de petrodólares que obriga países a vender petróleo em dólares e a reciclar esses capitais nos mercados financeiros americanos, financiando assim o défice e o crescimento económico dos EUA.
Distorção da Capacidade Militar - A doutrina de "choque e pavor" é vendida aos contribuintes como uma capacidade militar esmagadora, quando na realidade foi desenhada para guerras do século XX e se revela ineficaz contra estruturas de comando descentralizadas, sendo que a assimetria de custos - mísseis iranianos de 35.000 a 80.000 dólares contra o sistema THAAD a um milhão por míssil - torna qualquer conflito prolongado financeiramente insustentável para os americanos.
Falsa Neutralidade Humanitária - Os media ocidentais retratam Dubai e os países do Golfo como "parceiros neutros" e centros logísticos internacionais, ocultando que esta neutralidade é impossível quando milhares de expatriados ocidentais vivem sob proteção militar americana e que a instabilidade regional serve os interesses geopolíticos de manter os governos dependentes da "proteção" dos EUA.

  1. 1PetrodólaresDólares que os países são obrigados a usar para comprar petróleo.

    É o esquema que obriga todo o mundo a usar dólares americanos nas transações de petróleo. O vídeo explica como os EUA usam a força militar para manter este sistema. Os países vendem petróleo em dólares e depois investem nos mercados financeiros americanos. É uma taxa global imposta pelas armas, não pelo mercado.

  2. 2Assimetria de custosGastar pouco para causar prejuízos enormes ao inimigo.

    Os iranianos usam mísseis de 35 a 80 mil dólares para destruir alvos muito mais caros. O sistema THAAD americano gasta um milhão de dólares por míssil interceptador. O estado americano consegue falir-se ao tentar defender-se de ataques baratos. É um tipo com pedras contra uma montra de 10 mil euros.

  3. 3"Proteção" estatalObediência em troca de não ser atacado pelo próprio estado.

    Dubai funciona sob "proteção" militar americana, mas o vídeo mostra como isto falha quando os iranianos atacam. É como a máfia do bairro: pagas ou acontece-te algo mau. Os milhares de expatriados ocidentais são reféns deste arranjo. A neutralidade é uma ilusão quando a "proteção" custa mais do que vale.

  4. 4Intervenção militarO estado a meter-se em conflitos longe de casa com dinheiro alheio.

    Os americanos andam a atacar funcionários iranianos e a criar instabilidade na região. Isto gera custos enormes para os contribuintes que nunca pediram para estar envolvidos. Cada intervenção cria mais inimigos e justifica mais intervenções no futuro. É um círculo vicioso de desperdício alimentado por impostos.

  5. 5Custo de oportunidadeO que se perde ao escolher uma opção em vez de outra.

    Os milhões gastos em mísseis THAAD e em guerras no Médio Oriente não são usados para nada de útil. Podiam construir hospitais, escolas ou deixar as pessoas ficarem com o seu dinheiro. O vídeo mostra recursos enormes desperdiçados em conflitos em que ninguém ganha de verdade. Cada euro em guerra é um euro que não melhora a vida de ninguém.

  6. 6Imposto inflacionárioInflação causada pelo estado que reduz o poder de compra de todos.

    O sistema de petrodólares permite aos EUA imprimir dólares que o resto do mundo aceita. Quem paga são as pessoas comuns que veem os seus ordenados valer menos. O vídeo mostra como este esquema alimenta os mercados financeiros americanos à custa de toda a gente. É um roubo disfarçado de política monetária.

  7. 7Destruição de capitalRecursos gastos em guerra que nunca mais voltam a produzir nada.

    Os mísseis, tanques e aviões destruídos representam trabalho e recursos que desapareceram para sempre. O vídeo fala de instalações de dessalinização que são alvos fáceis e que não se podem defender. A guerra não cria riqueza, apenas move dinheiro de uns bolsos para outros enquanto destrói o que existe. Bastiat explicou isto há mais de 150 anos.

  8. 8Externalidades negativasPrejuízos sofridos por quem não escolheu participar na briga.

    A guerra entre os EUA e o Irão afeta países que nada têm a ver com o conflito. O estreito de Ormuz é crítico para o petróleo que vai para a Ásia, Índia e Japão. Estes países pagam o preço de uma briga que não pediram. São dois tipos a discutir-se no café e a partirem as loiças de toda a gente.